ANALFABETISMO – Recua, mas ainda é alto entre os idosos.
Quase um quarto da população brasileira com mais de 60 anos não sabe ler e nem escrever (Roberta Pennaforte) ESTADÃO/NOVEMBRO/2015.
As taxas de analfabetismo e de analfabetismo funcional seguem em queda no País, mas ainda são altas entre idosos: quase um quarto da população brasileira com mais de 60 anos não sabe nem ler nem escrever, segundo o Pnad. De 2013 para 2014, o índice de analfabetos em todas as faixas etárias baixou de 8.5% para 8,3%. São 13.200 milhões de pessoas. Dez anos antes, o patamar estava em 11,5%.
A taxa de analfabetos funcionais (aqueles que têm mais de 15 anos de idade e menos de quatro de estudo e, embora saibam conhecer letras e números, são incapazes de compreender textos simples e de realizar operações um pouco mais elaboradas) caiu de 18,1% para 17,6% em 2014 – a série histórica do IBGE mostra que em 2001 ela era 12,4%.
O Nordeste mantém sua posição histórica de pior região brasileira no quesito alfabetização: 54,1% da população analfabeta em todo o País vivem lá. Sul e Sudeste, com os melhores resultados, têm proporções semelhantes, 4,4% e 4,6% de analfabetos entre seus habitantes.
Em relação aos idosos, o índice de analfabetos foi de 24,4% em 2012, para 23,1% em 2014.
São pessoas que não tiveram oportunidade de se alfabetizar na infância e que, com o passar dos anos, não puderam voltar a estudar. Na faixa dos 15 aos 19 anos, é de pelo menos de 0,9% um reflexo dos esforços no sentido da universalização do ensino fundamental.
“Esses são idosos que tiveram o direito à educação negada ao longo de sua vida. Não estudaram porque não houve acesso, porque foram obrigados a parar para trabalhar. Há entre eles um número muito grande de mulheres, porque elas cuidam dos filhos e netos”. Disse Sandra Fernandes Leite, especialista em educação de jovens e adultos da Universidade de Campinas (UNICAMP). Para ela, o processo de irradicação do analfabetismo no Brasil mão segue em velocidade satisfatória e reflete a timidez das ações voltadas justamente ao grupo de jovens e adultos, onde está localizado o problema.
No ano 2000, o Brasil assinou a declaração “Educação para todos”, elaborada pela Cúpula Mundial, em que 164 países firmaram uma série de compromissos nesse campo; entre eles o de reduzir o analfabetismo de pelo menos 50% até 2015. A meta brasileira era de 6,75, AINDA LONGE DE SER ALCANÇADA.
Ao é escolarização pela escolarização. “No caso dos idosos, temos que ter alternativas para resgatá-los, porque a população está envelhecendo”, afirma Sandra.